A questão do ser é um problema filosófico-existencial que ultrapassa a temporalidade moderna, perguntada desde a pré-modernidade sob a seguinte formulação: que é o ser? (quid). O fascínio pela resposta do quid perpassa a radicalidade do próprio acontecer apropriativo do ser enquanto ser-aí, configurando um “pseudo-problema”, fulcrado no cotidiano tranquilizante. A pergunta (moderna) a ser feita não é “o que”,  mas como se dá o ser?

 

O Direito, enquanto ciência dos fenômenos jurídicos, busca alcançar o “método” ideal para regular as condutas humanas do cotidiano, isto é, é uma ciência que busca regular “magicamente” os próprios pré-conceitos dados pelo mundo, em uma incessante (tentativa) fuga de si, uma vez que desde sempre absorvido no mundo de pré-conceitos. Com essa conotação, o Direito é mera repetição de falatório automatizado, dominado e controlado pelo mundo e por sua fala.

 

É certo que, apenas é possível observar o Direito como instância tranquilizadora, ao tempo que abre-se um campo de sentido para o acontecimento do Direito enquanto experiência radical de negatividade, em um encontrar-se a si mesmo que desde sempre esteve ali, isto é, possibilitar o exercício do ser-aí em sua plenitude, tendo não mais o mundo dominando as relações existenciais do ser-aí, mas o próprio ser no exercício pleno das faculdades das possibilidades de seu poder-ser, através da experiência da angústia e da morte.

 

Assim, pode-se concluir, em uma sentença final que, o Direito como instrumento tranquilizante e automatizado, visto existencialmente como exercício vazio do caráter de poder-ser do ser como um problema, pode apresentar-se como uma solução para encontrar-se a si mesmo em uma relação existencial que desde sempre já esteve ali:  do ser descobrindo radical e negativamente a si mesmo.